CAFÉ PALLADIUM

O Café Palladium abriu portas no Porto a 4 de Novembro de 1940, instalado no monumental edifício dos antigos Grandes Armazéns Nascimento, na esquina da Rua de Santa Catarina com a Rua de Passos Manuel. O imóvel fora projectado décadas antes pelo arquitecto Marques da Silva, num processo iniciado em 1914, mas só concluído em 1926. Em plena época dourada dos grandes cafés urbanos, o Palladium surgiu como símbolo de modernidade e luxo: decoração Art Déco desenhada por Mário de Abreu, grandes espelhos, mármores, iluminação indirecta, restaurante, salão de chá, salas de bilhar e snooker, espaços de jogo e até um cabaret no último piso com entrada própria. Tornou-se rapidamente um dos centros da vida nocturna portuense, frequentado por comerciantes, jornalistas, artistas e boémios, numa atmosfera cosmopolita inspirada nos cafés parisienses. O Diário de Lisboa destacava mesmo algumas modernidades raras para a época, como mesas com ligação telefónica e sistemas de altifalantes internos.

O Palladium encerrou definitivamente em 31 de Março de 1974, já numa altura em que o modelo clássico dos grandes cafés começava a desaparecer. O edifício foi depois transformado nas Galerias Palladium, mantendo o nome histórico e ganhando, na fachada, o célebre relógio animado com figuras como o São João, o Infante D. Henrique, Almeida Garrett e Camilo Castelo Branco. Durante décadas funcionaram ali várias lojas de referência, incluindo a Fnac e a C&A, que abandonaram o espaço recentemente. Em 2024 foi anunciada uma nova transformação do edifício: a instalação da primeira loja de rua da Primark em Portugal, ocupando cinco pisos, com abertura prevista para 2027. Apesar das mudanças sucessivas, o velho Palladium continua a marcar visualmente a Baixa do Porto, como memória sobrevivente dos grandes cafés elegantes do século XX.




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