sexta-feira, 22 de maio de 2026

CAFÉ PALLADIUM

O Café Palladium abriu portas no Porto a 4 de Novembro de 1940, instalado no monumental edifício dos antigos Grandes Armazéns Nascimento, na esquina da Rua de Santa Catarina com a Rua de Passos Manuel. O imóvel fora projectado décadas antes pelo arquitecto Marques da Silva, num processo iniciado em 1914, mas só concluído em 1926. Em plena época dourada dos grandes cafés urbanos, o Palladium surgiu como símbolo de modernidade e luxo: decoração Art Déco desenhada por Mário de Abreu, grandes espelhos, mármores, iluminação indirecta, restaurante, salão de chá, salas de bilhar e snooker, espaços de jogo e até um cabaret no último piso com entrada própria. Tornou-se rapidamente um dos centros da vida nocturna portuense, frequentado por comerciantes, jornalistas, artistas e boémios, numa atmosfera cosmopolita inspirada nos cafés parisienses. O Diário de Lisboa destacava mesmo algumas modernidades raras para a época, como mesas com ligação telefónica e sistemas de altifalantes internos.

O Palladium encerrou definitivamente em 31 de Março de 1974, já numa altura em que o modelo clássico dos grandes cafés começava a desaparecer. O edifício foi depois transformado nas Galerias Palladium, mantendo o nome histórico e ganhando, na fachada, o célebre relógio animado com figuras como o São João, o Infante D. Henrique, Almeida Garrett e Camilo Castelo Branco. Durante décadas funcionaram ali várias lojas de referência, incluindo a Fnac e a C&A, que abandonaram o espaço recentemente. Em 2024 foi anunciada uma nova transformação do edifício: a instalação da primeira loja de rua da Primark em Portugal, ocupando cinco pisos, com abertura prevista para 2027. Apesar das mudanças sucessivas, o velho Palladium continua a marcar visualmente a Baixa do Porto, como memória sobrevivente dos grandes cafés elegantes do século XX.




sexta-feira, 15 de maio de 2026

CAFÉ GICHARD

 O célebre Café Guichard foi um dos mais importantes e elegantes cafés do Porto oitocentista, situado na então Praça de D. Pedro — actual Praça da Liberdade — no coração político e mundano da cidade. O estabelecimento foi fundado em 1843 pelo francês Jean Baptiste Guichard, numa época em que os cafés começavam a transformar-se em verdadeiros centros da vida urbana burguesa. Inicialmente conhecido como “Café Francês”, cedo passou a adoptar o apelido do proprietário. Dstinguia-se pelo luxo pouco habitual para a época: salas amplas, espelhos, mármores, candeeiros a gás e uma decoração inspirada nos cafés parisienses

Frequentavam-no comerciantes ricos, jornalistas, políticos, estudantes, etc. Camillo Castello Branco ia para o café sobretudo a partir de 1848, integrado nas tertúlias dos chamados “Leões”, célebre grupo de boémios do Porto romântico. Deixou uma descrição mordaz do ambiente do estabelecimento, escrevendo: “O Café Guichard, a que eu chamaria colmeia onde se emelavam doces favos de espírito, se aquele botequim não fosse antes um vespeiro…”.

Foi uma instituição da vida social do Porto. Discutia-se política, liam-se jornais nacionais e estrangeiros, organizavam-se tertúlias literárias e comentavam-se os grandes acontecimentos europeus. O café era também famoso pelos seus gelados, bebidas e pastelaria, seguindo modelos franceses pouco comuns em Portugal naquela época. Em redor da Praça de D. Pedro formou-se então um verdadeiro circuito de cafés históricos que definiam o coração social e intelectual da cidade. 




LAURA COSTA, ILUSTRADORA DE UMA GERAÇÃO

  Quando se fala hoje de Laura Costa, é frequente encontrar referências à sua "redescoberta" recente. A expressão é enganadora. Re...