O PALÁCIO DE CRISTAL CAMILIANO

N'este anno da graça de 1871, fui eu a um baile de mascaras ao Palácio de Cristal.
O tedio da minha alma, n'aquelle estridulo vo­zear de gentio esfalfado a fingir que a vinolencia era graça portugueza, só póde comparar-se a uma dôr ingente de callos.
A's dez horas levantei-me para sair, e tornei a sentar-me obrigado por coisa maravilhosa. E' que Álvaro de Aboim passava dando o braço a uma mu­lher de dominó, a qual pisava com feiticeiro do­naire e se bamboava de quadris com requebradas inflexões.

Camilo Castelo Branco




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