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segunda-feira, 5 de maio de 2014

PAREDES COM HISTÓRIA CONTADA NA RUA



«Os anúncios pintados na fachada lateral de  certos prédios fizeram época em quase todas a cidades europeias. Os arqueólogos urbanos rebuscam agora, sempre que um prédio mais recente é demolido, vestígios da empena original do edifício contíguo, para descobrirem alguma publicidade que, oculta durante séculos, possa ressurgir à luz do dia, sem que o tempo a tenha tisnado.

Assim se recuperaram algumas pinturas centenárias alusivas às bolachas LU ou aos chocolates Ménier, por exemplo.

Em Portugal, as empenas publicitárias duraram até mais tarde, e foram várias vezes restauradas pelos donos das respectivas lojas ou produtos. Poderíamos ter aproveitado isso para mostrar ao viajante aquilo que raramente se encontra noutros locais.

Mas continuamos a caiar estes tesouros do século XX, em parte por causa de uma lei que obriga a pagar publicidade na via pública. Aparentememte, os municípios nem  sequer contratam como fiscais de tal disparate pessoas que saibam, pelo menos, distinguir uma publicidade antiga de um letreiro acabado de fazer.

E foi assim que, há meia dúzia de anos, o Porto perdeu o célebre «preto da Casa Africana».

Marina Tavares Dias

sábado, 3 de maio de 2014

Namoradas de relance

"Aos domingos e dias santos a Praça Nova conservava uma grande animação até às duas horas da tarde. Era nesses dias que as portuenses juvenis ali se deixavam ver, de passagem, acompanhadas por seus pais ou seus irmãos. Nos outros dias saiam muito menos do que hoje, e apenas à noite quando precisavam fazer compras. Mas era um gozo para os namorados, podê-las seguir até ao largo dos Loios ou até à calçada dos Clérigos, e vê-las de relance à luz dos candeeiros da iluminação pública, que pareciam empalidecer com o relâmpago fugaz da beleza delas - as lindas portuenses de faces rosadas, cabelos e olhos negros."
ALBERTO PIMENTEL


sexta-feira, 2 de maio de 2014

terça-feira, 29 de abril de 2014

OS MELHORS LIVROS DE CADA CIDADE...

«Alguns livros são portas para cidades. Alguns livros são portas que prolongam as cidades para lá da temporalidade, para além da topografia, para longe da desatenção. Alguns livros são as únicas portas de acesso às cidades pelo lado da alma. Alguns livros valem dias de passeio pelas cidades, anos de vida nas cidades.»
MARINA TAVARES DIAS

A célebre Académica, uma
das mais estimadas livrarias-alfarrabista do Porto,
Fotografia de Marina Tavares Dias, 2013


segunda-feira, 28 de abril de 2014

A GRANJA ELEGANTE

Esteve para o Porto como Cascais estava para a Lisboa do início do século XX. Com o seu clube, o seu casino, as visitas da família real a banhos, as casinhas harmónicas e semelhantes, os palacetes novos inspirados em praias francesas. E um sossego próprio de quem recolhe cedo, e fica a tocar um vago piano, que se escuta abafadamente, lá ao longe na praia, onde o amanhecer promete mais um dia radioso em sol e gargalhadas.
Hoje, a Granja oscila entre o tesouro perdido e o território potencialmente especulativo. Alguma coisa da antiga magia se foi. Algo dela ficou ainda.


Estação ferroviária da Granja 
no início do século XX 
(postal ilustrado de Alberto Ferreira)

sábado, 26 de abril de 2014

BRASILEIRA: QUE FUTURO?

Lutemos sempre e ainda pela manutenção da 
BRASILEIRA DO PORTO, 
inaugurada em 1903 por Adriano Telles.


Um dos ex-libris da cidade. Não aceitemos a surdez, cegueira e assobiar para o lado com que a CMP sempre tratou o património! Alguma coisa mudou nas últimas eleições. Ou não?



Gosta do PORTO DESAPARECIDO©?
Do único, do original, do registado PORTO DESAPARECIDO?
Do que começa muito antes do Facebook em Portugal, em 2002 e como livro de sucesso?
Do de MARINA TAVARES DIAS e de MÁRIO MORAIS MARQUES?

Então, convide os seus amigos para o nosso blog. Ajude a travar as várias cópias não autorizadas, trazendo mais «gostos» também para a página oficial do Facebook que vai decerto gostar de ler:

https://pt-pt.facebook.com/livroportodesaparecido

sexta-feira, 25 de abril de 2014



PORTO DESAPARECIDO
é um livro de
MARINA TAVARES DIAS
e
MÁRIO MORAIS MARQUES
(copyright 2002)


«[...] A desejada Avenida [dos Aliados] vai ser aberta segundo projecto do inglês Barry Parker, sacrificando-se para isso os dois edifícios onde funcionavam os serviços camarários. Demolição que começa no dia 1 de Fevereiro de 1916. 

Pouco depois, iniciar-se-á a construção do novo edifício dos Paços do Concelho, com que se pretende ocultar a fachada da Igreja da Trindade, que o projectista não considera digna de rematar a nova artéria. O Arquitecto Marques da Silva desenha os edifícios da Companhia A Nacional e do Banco Inglês que, simetricamente, a Poente e Nascente, marcam de forma ténue a separação dos dois espaços urbanos [...]» (continua)



Excerto do capítulo A PRAÇA NOVA