Em PORTO DESAPARECIDO, de Marina Tavares Dias e Mário Morais Marques (2001)
«Embora o sol tivesse brilhado durante o dia, o estio não parecia para breve, naquela noite de Março de 1888. O vento soprava veloz à entrada da Rua de Santo António e os transeuntes, com abafos de Inverno, rumavam quase todos para o mesmo destino: a fachada iluminada do Teatro Baquet, cujo cartaz prometia espectáculo duplo, até depois da meia-noite, em homenagem ao actor Firmino.» (excerto do capítulo)
domingo, 18 de agosto de 2013
quarta-feira, 10 de julho de 2013
A PRAÇA NOVA - PORTO DESAPARECIDO, copyright 2002
ESTÁTUA
DE D. PEDRO
- excerto do capítulo A PRAÇA NOVA
Ao
atribuir, em 1833, o nome de D. Pedro à antiga Praça Nova das Hortas, quis a
Câmara orná-la com um monumento em honra do Rei-Soldado. Por isso, solicitou
autorização ao Governo para fundir as peças de artilharia deixadas pelo inimigo,
assim obtendo o metal necessário. Abriu-se concurso para elaboração do modelo e
subscrição pública para obtenção das verbas. O governo autorizou a pretensão.
Concorreram vários artistas mas, por falta de dinheiro, a Câmara desistiu do
intento. Em 1837, nova tentativa, igualmente falhada. Em 1862, a terceira tentativa, dando razão ao
ditado popular, foi coroada de êxito. O dinheiro da subscrição pública
continuava a ser escasso, mas a Câmara Municipal, contraindo um empréstimo,
decidiu levar em frente o empreendimento. Aberto novo concurso público, foi
escolhido o modelo apresentado por Anatole Calmels, artista que em Lisboa,
nesse momento, trabalhava no grupo escultórico do Arco da Rua Augusta.
O
monumento consiste numa estátua equestre, fundida em bronze, de D. Pedro de
Bragança segurando na mão direita a Carta Constitucional e na esquerda as
rédeas do cavalo. Apoia-se numa base de pedra lioz, desenhada igualmente por
Calmels, decorada com as armas da cidade do Porto, com as da Casa de Bragança e
com dois relevos, originalmente em mármore de Carrara. Num desses relevos
representa-se, no momento do desembarque das tropas liberais em 1832, a entrega
da Bandeira, destinada ao regimento dos Voluntários da Rainha, por D. Pedro a
um soldado desse mesmo regimento. No outro motivo escultórico, vê-se a entrega
ao Presidente da Câmara da urna contendo o coração de D. Pedro que, doado em
testamento à cidade, se conserva actualmente na Igreja da Lapa. Quando foram
retiradas as grades que protegiam o grupo escultórico, temendo que pudessem os
relevos de mármore ser danificados, deliberou o Município substitui-los por
réplicas em bronze. [.../...]
Com
a presença dos reis D. Luís e D. Fernando, no meio de salvas, repique de sinos
e girândola de foguetes, realizaram-se os festejos da inauguração, a 19 de
Outubro de 1866. Fazendo guarda de honra, envergando os seus velhos
uniformes, lá estavam os veteranos das lutas liberais.
[.../...] Do centro da Praça Nova viu a estátua de D.
Pedro muita coisa alterar-se à sua volta. [.../...] Popular e cúmplice de múltiplos acontecimentos, continua como um dos símbolos da cidade.
MARINA TAVARES DIAS
MÁRIO MORAIS MARQUES
PORTO DESAPARECIDO
copyright 2002
Foto actual:
Marina Tavares Dias
quinta-feira, 4 de julho de 2013
A Brasileira
OS CAFÉS DO PORTO
EXCERTO DO CAPÍTULO
OS CAFÉS DO PORTO
Adriano Telles foi responsável pela inauguração posterior das Brasileiras de Lisboa (a do Chiado, em 1905, e a do Rossio, em 1911) e também mentor do aparecimento da Brasileira de Braga, fundada pelo então seu sócio Adolpho de Azevedo, a 17 de Março de 1907. Ainda antes de conquistar Coimbra com estabelecimento congénere, na Rua Ferreira Borges, Telles levou a fama do seu café até terras de Espanha, instalando uma diminuta sucursal em Sevilha.
OS CAFÉS DO PORTO
EXCERTO DO CAPÍTULO
OS CAFÉS DO PORTO
«Com o correr dos anos, a própria fachada do café, com o grande alpendre construído durante as primeiras obras de monta (terminadas em Agosto de 1916), viria a tornar-se, só por si, um «ex-libris» do Porto. Enquanto decorreram os trabalhos, e para não perder uma única hora de negócio, a firma construiu um anexo de madeira sob o toldo novo, e aí continuou a vender café e chá ao quilo. Anexando a loja que até então ocupara o gaveto para a Rua do Bonjardim, A Brasileira volta a expandir-se em 1930, altura em que é considerada o mais 'intelectual' dos cafés portuenses. Oito anos depois – 26 de Maio de 1938 – inaugura-se a remodelada sala central, em estilo já totalmente «modernista» (por oposição aos antigos interiores clássicos). A decoração fora encomendada a Januário Godinho, que se esmerara na escolha de espelhos franceses e frisos de alabastro do Vimioso, devidamente enquadrados pelos baixos-relevos do escultor Henrique Moreira.»
MARINA TAVARES DIAS
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terça-feira, 25 de junho de 2013
A PONTE PÊNSIL
A PONTE PÊNSIL.
Excerto do capítulo inaugural do livro
PORTO DESAPARECIDO
DE
MARINA TAVARES DIAS
E
MÁRIO MORAIS MARQUES
Em 1837, ultrapassadas as grandes convulsões
políticas do primeiro quartel do século, [...] Portugal
começa lentamente a industrializar-se [.../...]. A
ligação Porto – Lisboa torna-se fundamental [.../...].
Entre a cidade do
Porto e Vila Nova de Gaia irá construir-se, então, a primeira ponte definitiva
de todo o curso nacional e internacional deste rio. Curiosamente, enquanto a
construção da ponte demorou menos de dois anos, a estrada de ligação à capital
só ficaria completa um quarto de século depois, em 1861, já em pleno Fontismo. [..../....]
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domingo, 26 de maio de 2013
A TRAGÉDIA DO TEATRO BAQUET
«A história do incêndio do Teatro Baquet, passada de avós a
netos em registo de 'quem conta um conto acrescenta um
ponto', marcou o imaginário de muitas crianças nascidas
muitas décadas após a noite de 20 de Março de 1888. Ouvi-
-a da boca do meu avô materno ainda antes de fazer quatro
anos.»
Início do capítulo
O TEATRO BAQUET
em PORTO DESAPARECIDO
de Marina Tavares Dias
e Mário Morais Marques.
netos em registo de 'quem conta um conto acrescenta um
ponto', marcou o imaginário de muitas crianças nascidas
muitas décadas após a noite de 20 de Março de 1888. Ouvi-
-a da boca do meu avô materno ainda antes de fazer quatro
anos.»
Início do capítulo
O TEATRO BAQUET
em PORTO DESAPARECIDO
de Marina Tavares Dias
e Mário Morais Marques.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
CAPÍTULO OS CAFÉS DO PORTO
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