ALBERTO PIMENTEL
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sábado, 3 de maio de 2014
Namoradas de relance
"Aos domingos e dias santos a Praça Nova conservava uma grande animação até às duas horas da tarde. Era nesses dias que as portuenses juvenis ali se deixavam ver, de passagem, acompanhadas por seus pais ou seus irmãos. Nos outros dias saiam muito menos do que hoje, e apenas à noite quando precisavam fazer compras. Mas era um gozo para os namorados, podê-las seguir até ao largo dos Loios ou até à calçada dos Clérigos, e vê-las de relance à luz dos candeeiros da iluminação pública, que pareciam empalidecer com o relâmpago fugaz da beleza delas - as lindas portuenses de faces rosadas, cabelos e olhos negros."
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Clérigos e eléctricos
A Rua dos Clérigos na década de 1940.
Postal ilustrado fotográfico Ed. P.C.
Os carros eléctricos dão outra alegria à cidade.
Em boa hora regresssaram a alguns locais.
terça-feira, 29 de abril de 2014
OS MELHORS LIVROS DE CADA CIDADE...
«Alguns livros são portas para cidades. Alguns livros são portas que prolongam as cidades para lá da temporalidade, para além da topografia, para longe da desatenção. Alguns livros são as únicas portas de acesso às cidades pelo lado da alma. Alguns livros valem dias de passeio pelas cidades, anos de vida nas cidades.»
MARINA TAVARES DIAS
A célebre Académica, uma
das mais estimadas livrarias-alfarrabista do Porto,
Fotografia de Marina Tavares Dias, 2013
segunda-feira, 28 de abril de 2014
A GRANJA ELEGANTE
Esteve para o Porto como Cascais estava para a Lisboa do início do século XX. Com o seu clube, o seu casino, as visitas da família real a banhos, as casinhas harmónicas e semelhantes, os palacetes novos inspirados em praias francesas. E um sossego próprio de quem recolhe cedo, e fica a tocar um vago piano, que se escuta abafadamente, lá ao longe na praia, onde o amanhecer promete mais um dia radioso em sol e gargalhadas.
Hoje, a Granja oscila entre o tesouro perdido e o território potencialmente especulativo. Alguma coisa da antiga magia se foi. Algo dela ficou ainda.
Hoje, a Granja oscila entre o tesouro perdido e o território potencialmente especulativo. Alguma coisa da antiga magia se foi. Algo dela ficou ainda.
Estação ferroviária da Granja
no início do século XX
(postal ilustrado de Alberto Ferreira)
sábado, 26 de abril de 2014
BRASILEIRA: QUE FUTURO?
Lutemos sempre e ainda pela manutenção da
Gosta do PORTO DESAPARECIDO©?
Do único, do original, do registado PORTO DESAPARECIDO?
Do que começa muito antes do Facebook em Portugal, em 2002 e como livro de sucesso?
Do de MARINA TAVARES DIAS e de MÁRIO MORAIS MARQUES?
Então, convide os seus amigos para o nosso blog. Ajude a travar as várias cópias não autorizadas, trazendo mais «gostos» também para a página oficial do Facebook que vai decerto gostar de ler:
BRASILEIRA DO PORTO,
inaugurada em 1903 por Adriano Telles.
Um dos ex-libris da cidade. Não aceitemos a surdez, cegueira e assobiar para o lado com que a CMP sempre tratou o património! Alguma coisa mudou nas últimas eleições. Ou não?
Gosta do PORTO DESAPARECIDO©?
Do único, do original, do registado PORTO DESAPARECIDO?
Do que começa muito antes do Facebook em Portugal, em 2002 e como livro de sucesso?
Do de MARINA TAVARES DIAS e de MÁRIO MORAIS MARQUES?
Então, convide os seus amigos para o nosso blog. Ajude a travar as várias cópias não autorizadas, trazendo mais «gostos» também para a página oficial do Facebook que vai decerto gostar de ler:
https://pt-pt.facebook.com/livroportodesaparecido
sexta-feira, 25 de abril de 2014
é um livro de
MARINA TAVARES DIAS
e
MÁRIO MORAIS MARQUES
(copyright 2002)
«[...] A desejada Avenida [dos Aliados] vai ser aberta segundo projecto do inglês Barry Parker, sacrificando-se para isso os dois edifícios onde funcionavam os serviços camarários. Demolição que começa no dia 1 de Fevereiro de 1916.
Pouco depois, iniciar-se-á a construção do novo edifício dos Paços do Concelho, com que se pretende ocultar a fachada da Igreja da Trindade, que o projectista não considera digna de rematar a nova artéria. O Arquitecto Marques da Silva desenha os edifícios da Companhia A Nacional e do Banco Inglês que, simetricamente, a Poente e Nascente, marcam de forma ténue a separação dos dois espaços urbanos [...]» (continua)
Excerto do capítulo A PRAÇA NOVA
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Os deuses vandalizados
Pormenor recortado do catálogo da Fábrica das Devezas (Vila Nova de Gaia) em 1910.
Nos últimos dois anos, a vandalização da fábrica, tendo em vista uma impossbilidade de recuperação, faz adivinhar o pouco que dela restará para testemunho futuro.
PORTO DESAPARECIDO
de
MARINA TAVARES DIAS
e
MÁRIO MORAIS MARQUES
terça-feira, 22 de abril de 2014
Tapetes verdes ao cair da tarde...
eram os canteiros da Avenida dos Aliados, na altura do dia em que a cidade se animava com as luzes dos 'néons' e as tertúlias nos inúmeros cafés. Hoje, cinzentona e cheia de dependências bancárias encerradas às 3 da tarde, a Avenida vai morrendo...
PORTO DESAPARECIDO
de MARINA TAVARES DIAS
e MÁRIO MORAIS MARQUES
capítulo A Praça Nova
ilustração:
postal ilustrado 'Portugal Turístico'
(s/d)
PORTO DESAPARECIDO
de MARINA TAVARES DIAS
e MÁRIO MORAIS MARQUES
capítulo A Praça Nova
ilustração:
postal ilustrado 'Portugal Turístico'
(s/d)
quinta-feira, 17 de abril de 2014
DEVEZAS, com um 'Z'. Desespero, com um 'S'
Pormenor recortado da capa do catálogo da Fábrica das Devezas (Gaia) em 1910. Hoje em ruínas, foi a mais importante unidade do género entre as inúmeras que se implantaram na zona. As fábricas de cerâmica de Vila Nova de Gaia (ou do Porto, como inicialmente as designavam por divisão administrativa oitocentista) eram um dos tesouros industriais do Norte de Portugal. A sua agonia e morte simbolizam muita coisa, de que, necessariamente, voltaremos a «falar».
Foto: ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS
Etiquetas:
amigos do Porto Desaparecido original,
cerâmica portuguesa,
Devesas,
Devezas,
Marina Tavares Dias,
Mario Morais Marques,
património,
Porto Desaparecido,
Porto Desaparecido Porto,
Vila Nova de Gaia
Local:
Santa Marinha, Portugal
sábado, 12 de abril de 2014
A Noiva e A Tentadora
Imagens enviadas pelos amigos da página oficial do PORTO DESAPARECIDO© Marina Tavares Dias e Mário Morais Marques. Por favor partilhem no vosso mural e com os vossos amigos. Obrigado a todos.
Recepção ao Rei D. Manuel II na Rua dos Clérigos, 1909. Reparem na carruagem de 'carro americano' cujo pormenor se vê à direita. Aqui já estava provavelmente transformada em carro eléctrico. Reparem que «A Tentadora» está apenas duas portas acima d'«A Noiva»
Fotografia de Joshua Benoliel, prova digital, a partir de negativo depositado na Torre do Tombo.
Recepção ao Rei D. Manuel II na Rua dos Clérigos, 1909. Reparem na carruagem de 'carro americano' cujo pormenor se vê à direita. Aqui já estava provavelmente transformada em carro eléctrico. Reparem que «A Tentadora» está apenas duas portas acima d'«A Noiva»
Fotografia de Joshua Benoliel, prova digital, a partir de negativo depositado na Torre do Tombo.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
MATOSINHOS NO ADVENTO DA CARTOFILIA A CORES
PORTO DESAPARECIDO©
de
Marina Tavares Dias
e
Mário Morais Marques.
Continuamos a divulgar os postais
digitalizados e enviados pelos
Amigos do Porto Desaparecido© Original.
Obrigado e bem-hajam!
segunda-feira, 7 de abril de 2014
O 'PORTO DA PRAÇA NOVA'
Na praça de terra batida realizavam-se as paradas militares dos regimentos da cidade e várias feiras semanais, como a da erva, a da palha, a da madeira ou a do carvão. Prestes a comemorar o centenário do local, instala-se a Câmara num dos palacetes situados a Norte. A coroar esse edifício é colocada uma estátua de granito que, representando um guerreiro com escudo e lança na mão, pretende simbolizar a cidade do Porto. E assim, a estátua (ficando conhecida como "O Porto da Praça Nova") irá vigiando tudo de cima do seu pedestal, presidindo ao ciclo seguinte. Durante cem anos permanecerá neste lugar, sendo apeada em 1916.
MARINA TAVARES DIAS
MÁRIO MORAIS MARQUES
---
EXCERTO
do muito
citado (e copiado)
capítulo
A PRAÇA NOVA
(ver legenda e atribuição no livro)
sábado, 5 de abril de 2014
O NOSSO AMADO CAFÉ «PIOLHO»
Outro café famoso sobrevive é o Âncora d'Ouro, mais conhecido de todos os portuenses como «O Piolho». Figurando num almanaque de 1883, será provavelmente o mais antigo da cidade ainda em funcionamento, logo seguido do Café Progresso. A passagem das instalações universitárias para outras zonas menos centrais está a despovoá-lo, mas as lápides dispersas nas paredes testemunham bem o que ele representou para várias gerações de estudantes.
[...]
No Largo do Moinho de Vento sobrevive o café Progresso. Nos tempos da Politécnica era este estabelecimento conhecido como o café dos Professores, enquanto o Piolho era o dos estudantes. Escapou à moda das renovações que os outros sofreram nos anos 30 e mantém as características dos velhos botequins.
[...]
No Largo do Moinho de Vento sobrevive o café Progresso. Nos tempos da Politécnica era este estabelecimento conhecido como o café dos Professores, enquanto o Piolho era o dos estudantes. Escapou à moda das renovações que os outros sofreram nos anos 30 e mantém as características dos velhos botequins.
MARINA TAVARES DIAS
e
MÁRIO MORAIS MARQUES
em
PORTO DESAPARECIDO
(2002)
Fotografia: Marina Tavares Dias
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Quanto a verde... «E Tudo o Vento Levou»
PORTO DESAPARECIDO© Marina Tavares Dias e Mário Morais Marques
OS POSTAIS do PORTO
NO ADVENTO DA CARTOFILIA A CORES
Continuamos a divulgar os postais digitalizados e enviados pelos Amigos do Porto Desaparecido© Original.
Obrigado e bem-hajam!
quarta-feira, 2 de abril de 2014
'Camilianando'... caminhando
PORTO DESAPARECIDO© Marina Tavares Dias e Mário Morais Marques.
A gravura que Alberto Pimentel inseriu em “O Romance do
Romancista”, e que aqui deixámos em «post» alusivo, é a única imagem conhecida do Café Guichard.
Embora posterior ao seu encerramento, coincide com as descrições escritas que os frequentadores nos deixaram.
Desses frequentadores, o mais famoso, foi sem dúvida Camilo Castelo Branco que assiduamente ali parava na sua juventude, reunindo tertúlia que raramente passava despercebida. Dessa vivência deixou-nos o escritor o testemunho, espalhado por várias páginas dos seus livros.
terça-feira, 1 de abril de 2014
UMA DESCOBERTA DAS INVESTIGAÇÕES DO PORTO DESAPARECIDO
DURANTE AS INVESTIGAÇÕES
PARA O CAPÍTULO SOBRE OS CAFÉS DO PORTO,
MARINA TAVARES DIAS
E MÁRIO MORAIS MARQUES
RECUPERARAM A QUE DEVERÁ SER
A MAIS ANTIGA REFERÊNCIA A CAFÉ
NA CIDADE DO PORTO.
O TEXTO É UMA DELÍCIA,
E MERECE LEITURA.
segunda-feira, 31 de março de 2014
Os primórdios do Theatro de S. João
PORTO DESAPARECIDO© Marina Tavares Dias e Mário Morais Marques.
Foi a abertura a 13 de Maio de 1798, para festejar os anos do príncipe regente D. João. Para esta primeira representação foi preciso prescindir da cornija de pedra que deveria circuitar o edifício, na esperança de se remediar esta falta em occasião opportuna, o que se não tem até hoje podido levar a effeito!"
In O Nacional 23 de Dezembro de 1848
Primitivo edifício de Teatro de S. João,
antes do incêndio do início do século XX.
Photographia Guedes - Arquivo Municipal
sexta-feira, 28 de março de 2014
IMPERIAL
PORTO DESAPARECIDO©
de
Marina Tavares Dias
e
e
Mário Morais Marques
capítulo
OS CAFÉS
«O ultimo café a abrir na década de 30, nesta zona da cidade, será o Imperial, a 27 de Maio de 1936. A imprensa da época noticia o facto com grande relevo, transcrevendo discursos de ocasião. Os arquitectos Ernesto Korrodi (1889-1944) e seu filho Ernesto Camilo (1905-1985) são autores do projecto, "nem peixe, nem carne, mas que pode e deve enfileirar ao lado dos melhores cafés do país e do estrangeiro"* - assim o classifica o velho Korrodi.
O interior é dominado por um grande vitral alusivo ao cultivo, transporte, transformação e consumo do café. À entrada, do lado direito, um local para venda de jornais; do esquerdo a venda de café a peso. Ao fundo, à direita, o bar, com tecto de vidro e cristal. Virá a ser conhecido popularmente como "sacristia", e utilizado como local de tertúlia.
Aqui se reuniram Óscar Lopes e seu pai Armando Leça, João Gaspar Simões e outros. Uma porta giratória em cobre e cristal permitia o acesso ao interior. Quando, na Praça, em tarde de contestação anti-ditadura, os manifestantes se protegiam da polícia dentro do Café Imperial, eram estas portas que barravam o passo aos cavalos.» [...] (continua no livro)
Pormenor de fotografia
«O ultimo café a abrir na década de 30, nesta zona da cidade, será o Imperial, a 27 de Maio de 1936. A imprensa da época noticia o facto com grande relevo, transcrevendo discursos de ocasião. Os arquitectos Ernesto Korrodi (1889-1944) e seu filho Ernesto Camilo (1905-1985) são autores do projecto, "nem peixe, nem carne, mas que pode e deve enfileirar ao lado dos melhores cafés do país e do estrangeiro"* - assim o classifica o velho Korrodi.
O interior é dominado por um grande vitral alusivo ao cultivo, transporte, transformação e consumo do café. À entrada, do lado direito, um local para venda de jornais; do esquerdo a venda de café a peso. Ao fundo, à direita, o bar, com tecto de vidro e cristal. Virá a ser conhecido popularmente como "sacristia", e utilizado como local de tertúlia.
Aqui se reuniram Óscar Lopes e seu pai Armando Leça, João Gaspar Simões e outros. Uma porta giratória em cobre e cristal permitia o acesso ao interior. Quando, na Praça, em tarde de contestação anti-ditadura, os manifestantes se protegiam da polícia dentro do Café Imperial, eram estas portas que barravam o passo aos cavalos.» [...] (continua no livro)
Pormenor de fotografia
de MARINA TAVARES DIAS, 1984
quinta-feira, 27 de março de 2014
COSTUMES do PORTO ANTIGO na cartofilia
A cartofilia de há um século sobrevivia em grande parte graças ao sucesso do bilhete postal topográfico, apesar do inegável impacto de outros bilhetes temáticos, hoje em dia (2014) um pouco injustamente agrupados sob o epíteto generalista de «românticos».
O certo é que foram estes, os «postais topográficos», que nos deixaram a memória dos costumes de cada cidade, assim como da arquitectura perdida e do património delapidado. No caso do Porto, os grandes editores, como Alberto Ferreira, Arnaldo Soares ou o geralmente designado «Estrela Vermelha» contribuíram com centenas de «clichés» até então desconhecidos - e que hoje nos permitem retomar quotidianos quase inimagináveis em certos locais.
O certo é que foram estes, os «postais topográficos», que nos deixaram a memória dos costumes de cada cidade, assim como da arquitectura perdida e do património delapidado. No caso do Porto, os grandes editores, como Alberto Ferreira, Arnaldo Soares ou o geralmente designado «Estrela Vermelha» contribuíram com centenas de «clichés» até então desconhecidos - e que hoje nos permitem retomar quotidianos quase inimagináveis em certos locais.
Os tempos em que Ramalde era campo aberto
(edição Estrela Vermelha)
O Bolhão inicial, ao ar livre
(edição Alberto Ferreira)
O pimitivo Teatro de S. João, antes do incêndio
(edição Arnaldo Soares)
quarta-feira, 26 de março de 2014
O Casamento «camiliano» de Fanny Owen
Nos jornais da época, o casamento de Francisca Owen parece já, efectivamente, uma cena do Porto camiliano:
«Recebimento – Hontem recebeu-se na Igreja de Santo Ildefonso por procuração, o illm.º Sr. José Augusto Pereira de Magalhães com a exm.ª sr.ª D. Francisca Owen; representando o Sr. Magalhães o illm.º snr. Doutor Joaquim Marcellino Mattos, e por a exm.ª Snr. F. Francisca Owen o illm.º Sr. José Corrêa de Mello Silveira, sendo testemunhas o exm.º Francisco Brandão de Mello e António de Mello – Os noivos estão no Douro, aonde se demorarão algum tempo.»
O Chronista
6 de Setembro de 1853
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