«[...] No meio de tais tascas e "tripalhadas" (no local onde ainda hoje se encontra a Confeitaria Ateneia), abriu, em 1893, uma loja bem diferente. Chamava-se Flora Portuense e vendia toda a espécie de sementes e de bolbos, desde dálias a amores perfeitos, passando por cogumelos e relva inglesa. O seu proprietário, homem dos sete ofícios, tinha representações de vários outros produtos. Entre as sementes e os géneros hortícolas vendiam-se também sedas, antracites, café e vinhos. No meio de tudo isto, o floricultor teve ainda tempo e paixão para as actividades que o tornaram famoso: a fotografia e o cinema. Chamava-se Aurélio da Paz dos Reis.» (continua no livro)
A Invicta Film Lda., usando o epíteto habitualmente conferido à capital do Norte, foi uma empresa pioneira do cinema português fundada a 22 de Novembro de 1917. O capital inicial de 150.000 escudos, soma milionária para o seu tempo, demonstra bem a disponibilidade e a crença dos sócios que se envolveram nesta maravilhosa aventura duma nova forma de arte, por muitos ainda vista, na época, como espectáculo de circo.
No ano seguinte, é contratado o realizador Georges Pallu, que rapidamente se especializa em adaptações dos clássicos da literatura portuguesa, como Júlio Diniz («Os Fidalgos da Casa Mourisca», 1920) ou Camilo Castelo Branco («Amor de Perdição», 1921), sempre com enorme sucesso nos écrans portuenses e também nos lisboetas. Rino Lupo, outro dos realizadores míticos da Invicta, assinaria o igualmente bem-sucedido «Zé do Telhado» (1929).
O que aconteceu aos estúdios magníficos e pioneiros da INVICTA, instalados na Quinta da Prelada (onde ainda há poucos anos eram visíveis vestígios do estúdio 1), pode servir de metáfora para a indiferença com que tem sido destruído o património histórico e artístico do Porto.